Por trás da glândula tireóide existem pequenas glândulas, normalmente em número de quatro, que são responsáveis pela regulação dos níveis de cálcio no sangue, são as chamadas paratireóides. Estas glândulas secretam um hormônio, o paratormônio ou PTH, que atua nos ossos, intestinos e rins promovendo o aumento dos níveis de cálcio no sangue. A falta do PTH com consequente queda dos níveis de cálcio no sangue define o hipoparatireoidismo, já o excesso deste hormônio configura o hiperparatireoidismo.
O hiperparatireoidismo pode ser causado por problemas da própria paratireoide, como tumores benignos hiperfuncionantes ou por doenças ou drogas que influenciam a produção aumentada do PTH. A principal causa de hiperparatireoidismo é sem dúvida a Insuficiência Renal. Pacientes com doença renal crônica (IRC) tendem a ter uma queda nos níveis de cálcio disponível no sangue, consequentemente as paratireoides são obrigadas a produzir mais PTH para tentar recuperar os níveis de cálcio, levando ao hiperparatireoidismo.
O excesso de PTH agindo nos ossos leva a doenças de desmineralização óssea semelhante à osteoporose com fraturas e deformidades. Podem surgir também tumores benignos de células ósseas que se multiplicam por estimulo do PTH, os tumores marrons. Nos pacientes com doença primaria da glândula paratireoide, o excesso de PTH resulta em excesso de cálcio no sangue, esse cálcio pode levar a formação de cálculos renais e também pode se depositar em diversos órgãos com nos próprios rins levando a insuficiência renal.
O tratamento da forma primária do hiperparatireoidismo é, sempre que possível, a remoção cirúrgica da(s) glândulas(s) afetadas, a paratireoidectomia. Nos casos secundários à IRC, existem medicações que reduzem os efeitos do excesso de PTH enquanto se aguarda pelo transplante renal, entretanto, na falha do tratamento medicamentoso, a paratireoidectomia deve ser realizada, neste caso, pode-se optar pela remoção apenas das glândulas aparentemente hiperfuncionantes na cintilografia das paratireoides, deixando as aparentemente sadias no lugar ou pela remoção de todas as glândulas com implante de uma delas no antebraço para manter uma produção mínima de PTH necessária.