O câncer da laringe representa 1/4 dos cânceres da cabeça e pescoço. É sete vezes mais comum em homens que mulheres e acomete mais comumente indivíduos com idade superior aos 40 anos. O tabagismo isoladamente ou associado ou etilismo é o principal fator de risco para o cancer de laringe. Indivíduos que fumam e ingerem bebidas alcoólicas tem um chance 40 vezes maior de ter cancer de laringe e faringe que os indivíduos que nunca fumaram ou ingeririam bebidas alcoólicas. Com a redução do hábito de fumar e a evolução das pesquisas, outras causas vem surgindo. Naqueles pacientes com câncer de laringe que não se expuseram ao tabagismo, principalmente nos mais jovens, cresce como causa o HPV, um vírus capaz de causar mutação celular e induzir a formação de câncer.
As pregas vocais são o principal local da laringe onde o tumor se inicia, 80% dos tumores se originam nesta localização, por isso o principal sintoma desse câncer é rouquidão. Indivíduos que apresentam rouquidão que dura mais de 2 ou 3 semanas, sobretudo os fumantes, devem procurar o especialista para avaliar sua laringe. Quando o tumor acomete as outras estruturas da laringe e a faringe, outros sintomas como dificuldade para deglutir, dor e tumoração palpável são os principais sintomas e também devem ser investigados por um especialista se de duração prolongada. Na laringoscopia se observada alguma lesão suspeita, esta deve ser submetida a biópsia para confirmação do câncer.
Vários fatores devem ser considerados para indicar o melhor tratamento para cada paciente, o tipo histológico, o tamanho e localização do tumor, a presença de metástases para linfonodos do pescoço, a invasão de outras estruturas do pescoço pelo tumor, a condição clínica do paciente e a opinião do paciente. O paciente deve ser informado de todas as opções terapêuticas, seus riscos, consequências e benefícios de forma clara e objetiva e deve decidir junto com o cirurgião de cabeça e pescoço qual a melhor opção para ele. A microcirurgia a laser ou não, as laringectomias parciais, a laringectomia total, a radioterapia isolada ou combinada com quimioterapia são as principais formas de tratamento e cada uma tem suas indicações, consequências e riscos. Tumores muito grandes, porém possíveis de serem removidos por cirurgia e que acometem indivíduos hígidos, normalmente devem ser tratados por cirurgia.
É preciso esclarecer ao paciente que a remoção de toda laringe, laringectomia total, não é sinônimo perda permanente da voz. Atualmente há três formas de se reabilitar a voz de indivíduos laringectomizados, quais sejam: A voz esofágica, onde o paciente fala com o ar deglutido que é expelido pela boca (fala "arrotando"); a laringe eletrônica artificial, que é um dispositivo eletrônico que é posicionado no pescoço e promove uma vibração no pescoço capaz de gerar um som semelhante a voz de um robô; e a prótese fonatória, um dispositivo valvulado posto por cirurgia na traqueia do paciente que faz com que o ar dos pulmões seja desviado para faringe como um grande "arroto" permitindo que o paciente fale com um volume maior de voz que a voz esofágica. Esta ultima forma de reabilitação é a que mais se aproxima da voz natural.