Constantemente as células de nosso corpo estão se multiplicando por divisão para repor células velhas que estão morrendo. Algumas substâncias químicas e fatores físicos como a radiação, podem atrapalhar esse processo de divisão. Quando ocorre um erro nessa divisão celular e há uma alteração genética na célula, ocorre uma mutação genética. Essa alteração pode não representar nenhum problema para o individuo, entretanto algumas vezes essa mutação pode induzir o surgimento de cânceres. Essas células cancerígenas passam a se multiplicar de forma descontrolada e a invadir órgãos e outras estruturas podendo levar a metástases. Felizmente nosso organismo dispõe de mecanismos de defesas que combatem essas células defeituosas e nos protegem do câncer. Mas, algumas vezes a batalha é perdida e os tumores crescem.
Atualmente muito se estuda sobre a genética dos cânceres de tireoide e algumas dessas mutações já foram identificadas, entretanto o motivo mais comum que deflagra o aparecimento desse câncer ainda é desconhecido. Sabe-se que a radiação é o principal fator conhecido para ocorrência de câncer de tireoide, porém a maior parte dos pacientes com câncer de tireoide jamais se expuseram a radiação. Alguns cânceres da tireoide como o medular podem ter um caráter de transmissão familiar, passando as alterações genéticas que induzem o câncer de pai para filho e podem estar envolvidos em síndromes onde se associam outras neoplasia diferentes da tireoide como o feocromocitoma e o adenoma hiperfuncionante de paratireoides. Daí a importância de se pesquisar os antecendentes familiares dos pacientes com nódulos de tireoide e seus descendentes.
Felizmente a maioria dos cânceres de tireoide tem uma mortalidade muito baixa. Não é frequente uma pessoa com câncer de tireoide, sem outras doenças e sendo bem tratada para o câncer vir a falecer. Mas isso não é motivo para negligencia-lo, uma vez diagnosticado, o câncer de tireoide deve ser tratado.
Alguns tipos raros de câncer de tireoide como o medular e o anaplásico tem um comportamento e prognóstico distintos e mais desfavoráveis.
O câncer de tireoide se apresenta clinicamente como um nódulo na tireoide. As formas de se identificar esses nódulos é através da palpação do pescoço durante o exame físico do paciente ou através de exames de imagem, sendo o mais indicado a ultrassonografia. nódulos pequenos demais, menores que 1 cm ou nódulos em pessoas com excesso de peso ou de pescoço curto são difíceis de serem identificados à palpação sendo a ultrassonografia muito útil para identificação.
Além da ultrassonografia, alguns exames de sangue também são uteis na triagem desses nódulos e ajudarão o cirurgião a definir sua conduta. O principal deles é o TSH.
Diante da suspeita de malignidade, o nódulo deverá ser biopsiado. Esse procedimento é feito através de um punção aspirativa por agulha fina guiada por usltranossografia e o material obtido encaminhado ao patologista. Confirmada a suspeita de câncer a cirurgia normalmente está indicada.
É importante lembrar que os cânceres de tireoide podem emitir metástases. Ou seja, as células malignas podem invadir estruturas vizinhas a tireoide ou através do sangue ou dos linfáticos, atingir órgãos distantes da tireoide como ossos e pulmões. O tumor mais comum da tireoide, o papilífero quando emite metástases, na maioria das vezes o faz através dos linfáticos. no sistema linfático existem estruturas que servem como "filtros" e que "prendem" as células malignas impedindo sua disseminação, são os linfonodos. Quando esses linfonodos estão com células tumorais, também devem ser removidos, é o chamado esvaziamento cervical.
O tratamento do câncer de tireoide pode ainda exigir uma complementação, a radioiodoterapia, popularmente chamada de "iodo", entretanto não são todos os casos que necessitam de radioiodoterapia. Após o tratamento inicial, o paciente deverá ser acompanhado pelo seu cirurgião por um período de 5 anos e se não apresentar nenhuma recorrência da doença, poderá ser considerado curado após esse período.