A tireoidectomia é a cirurgia que consiste na remoção total ou parcial da glândula tireóide. Atualmente, executa-se de rotina apenas dois tipos de tireoidectomia, a total onde toda a glândula e removida e a parcial onde metade da glândula e sua porção central (o istmo) são removidos. As nodulectomias, remoção exclusivamente dos nódulos, estão em desuso, assim como as tireoidectomias subtotais.
A tireoidectomia é uma cirurgia delicada, porém segura e relativamente rápida, durando em média uma hora a uma hora e meia, podendo se estender por mais tempo sempre que dificuldades se apresentem como um bócio muito volumoso, paciente obesos, reoperações, etc. A cirurgia é realizada através de uma pequena incisão no pescoço de forma a deixar a cicatriz o mais imperceptível possível. A tireoide é então removida e a pele é fechada.
Algumas complicações com baixa frequência podem ocorrer nessas cirurgias. O sangramento é a principal delas, para evita-lo, o cirurgião deve procurar fazer o controle mais preciso do sangramento durante a remoção da tireoide e para isso pode lançar mão de várias tecnologias como o bisturi harmônico ou de alta frequência e os hemostáticos. Caso haja um sangramento depois da cirurgia, o sangue acumulado no local da cirurgia pode apertar a traqueia e levar a um desconforto para respirar, por isso, nos casos de maior risco de sangramento no pós-operatório, pode ser necessária a instalação de um dreno no leito cirúrgico para drenar qualquer volume de sangue que se acumule.
Outra grande preocupação que devemos ter durante a cirurgia é com a preservação dos nervos laringeos, nervos responsáveis pela voz. As lesões dos nervos laringeos superior e principalmente do inferior (ou recorrente) resultam em prejuízo direto da voz e por conseguinte da comunicação do paciente. A dissecção minuciosa e rotineira desses nervos durante a cirurgia deve ser sempre observada. Porém, ainda assim, traumas inadvertidos a esses nervos podem acontecer. Atualmente novas tecnologias surgiram para minimizar a ocorrência dessas complicações, o mapeamento dos nervos laringeos e a monitorização continua do nervo vago.
Por fim, as tireoidectomias também põe em risco as paratireoides, pequenas glândulas situadas por traz da tireoide, normalmente me numero de 4 que são responsáveis pelo controle dos níveis de cálcio no sangue. Quando inadvertidamente lesadas, os pacientes apresentam sintomas de câimbras, formigamentos e contraturas podendo evoluir até para convulsões. felizmente é um evento raro, mas alguns pacientes estão mais propensos a apresenta-lo, é o caso dos pacientes com tireoides volumosas, ou que se submeteram à esvaziamento cervical ou reoperações, paciente com hiperfunção das paratireoides como renais crônicos e pacientes que se submeteram a cirurgia bariátricas, dentre outros.
Felizmente as complicações da cirurgia de tireoide são bastante raras, os pacientes se recuperam rapidamente e logo após a cirurgia já poderão falar e comer sem problemas. A alta normalmente ocorre no dia seguinte e o paciente irá para casa com a prescrição apenas de analgésicos do hormônio da tireoide a ser reposto devido a remoção da glândula. Em casa o paciente pode acompanhar a rotina da casa, alimentando-se à mesa com a família e sem a necessidade de auxilio para suas necessidades de higiene pessoal. Na maioria da vezes, em duas semanas o paciente já retoma suas atividades laborais, se seu trabalho for intelectual e com 30 dias retoma suas atividades de maior esforço físico.